Sep 01 2009

A arte e a ciência…


Embora tenha há tempos tenha me posicionado a favor da regulamentação das profissões ligadas à informática ocorrida na semana passada, não havia comentado este assunto que deu bastante o que falar em blogs profissionais e acadêmicos.

Não acredito que o ensino superior seja o único caminho para formação bons analistas ou desenvolvedores. Porém certamente essa é a melhor maneira de agregar conhecimento e técnica à carreira.

Existe um estalo ou toque mágico que só nos é perceptível na academia. Esse estalo não vem no momento em que passamos no vestibular ou ao fazer a matrícula na instituição. O que eu chamo de toque mágico é quando lá pelo final do segundo ano de curso começa-se a ver as coisas com outros olhos. De uma hora para outra tudo se encaixa e faz sentido. É preciso ser muito perceptivo para ver isso. Mas passa-se a perceber que cada disciplina do curso está interrelaciona por mais tênue que seja essa ligação.

Infelizmente não são todos que tem essa percepção. Mas esse é o momento em que entende-se como o processo funciona. É o momento em que todos os conceitos passam a fazer sentido.

Embora tenha essa visão romântica da academia descrita acima, não acredito que análise ou desenvolvimento de sistemas seja arte e sim ciência. Muito compara-se desenvolvedores com artistas. Confesso que tenho meus momentos de inspiração enquanto programo, mas não acredito que a inspiração venha de uma veia artística.

Arte é criação. Quando pinta-se um quadro a inspiração utiliza-se das pinceladas do artista para chegar à tela. Uma vez pronta essa tela não é revisada, não existem bugs nem implementações de novas funcionalidades. Imaginem como o artista ficaria ofendido quando o comprador da obra solicitasse que uma arvore fosse retirada ou inserida em uma tela de paisagem.

Desenvolvimento de Sistemas é ciência. Existem técnica, métodos e processos. Estudam-se as melhores práticas de programação e desenvolvimento. O software possui um ciclo de vida que o mantém ativo por muitos anos. E é necessário revisitar o código eliminando bugs e criando novas funcionalidades com uma freqüência bastante grande.

Acredito que autodidatas possam atingir um nível de conhecimento bastante grande, porém dificilmente alcançarão o toque mágico que os fará entender o conceito por trás das coisas.

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Jun 18 2009

O mais novo cirurgião…


Desde o dia de ontem não é mais necessário possuir um diploma para exercer a profissão de jornalista. A decisão foi do Supremo Tribunal Federal (STF) à pedido do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp). Meu primeiro comentário no twitter foi o seguinte:

twitter

twitter

Eu sou contra a decisão do STF. Acredito que omissão ou valorização de informação em notícias e matérias podem causar influência sobre os leitores. Isso é

uma responsabilidade bastante grande. Eu não sou jornalista. Escrevo esse blog por hobbie. Tenho domínio em assuntos relacionados à tecnologia, minha área de formação. Não me sentiria confortável escrevendo sobre política, economia ou futebol. Acredito que produziria textos muito mais elaborados se tivesse cursado ao menos um curso básico de técnicas de redação.

Aceitaria escrever para um veículo de comunicação desde que sob a supervisão de um editor diplomado. A responsabilidade de escrever é muito grande e não pode estar nas costas de alguém que não foi preparado para isso.

Em parte eu tomo as dores dos jornalistas nesse retrocesso por que minha profissão não é regulamentada e qualquer “zé ruela” se diz programador, analista de sistemas, DBA ou Arquiteto de Software. Acredito sim que pessoas possam aprender uma profissão sem passarem por uma universidade. Mas também acredito que esse é o caminho das pedras.

Freqüento diariamente fóruns de discussão na web. Reparo que muitas vezes as dúvidas enviadas não estão relacionadas à linguagens ou técnicas de programação e sim à falta de conceito desses usuários de fóruns. Acabam criando o código sem saber o motivo das linhas copiadas. Geram código mal feito, com linhas desnecessárias e de difícil manutenção pelo simples fato de não terem certeza do que estão fazendo.

Vou contar um caso que acredito já ter relatado por aqui. Na empresa em que trabalhava no Brasil éramos uma equipe de cinco ou seis desenvolvedores

responsáveis por manter a retaguarda de um sistema comercial. Os membros da equipe que não possuiam formação universitária estavam cursando suas últimas

disciplinas ou desenvolvendo o tão temido TCC.

Chegou o dia de a equipe crescer e um novo integrante passou por uma avaliação prática e uma entrevista com um dos sócios da empresa. A avaliação prática foi muito boa. O guri saíu-se muito bem no teste. E mandava muito bem mesmo. Programava muito, fazia coisas bastante legais. Porém havia aprendido tudo o que sabia seguindo tutoriais e fóruns na web. Não demorou muito para que o sistema e o resto da equipe tivessem seus primeiros conflitos com o “calouro”. A falta de instrução acadêmica não permitia que ele falasse a mesma língua do resto da equipe. Embora rotinas avançadas fossem desenvolvidos por ele na prática, não entendia o conceito por trás dos códigos. A Experiência durou pouco mais de três meses. Não houve adaptação do novo membro à equipe.

Eu sou favorável ao criação dos CRI’s, Conselhos Regionais de Informática, e a regulamentação das profissões relacionadas à área. Em caso o candidato à

membro do CRI não tenha formação técnica ou acadêmica, porém experiência de anos de mercado que lhe coloque em nível de igualdade com portadores de diploma é só fazer um Poscomp para provar sua aptidão.

Sempre bom resaltar que desenvolvimento de sistemas é um responsabilidade. Um erro na lógica e seus clientes pode estar deixando de pagar impostos ou ainda de ganhar dinheiro. Quem será responsável pelos sistemas desenvolvidos em access pelo sobrinho do dono da loja?

Você iria em um dentista que não tenha concluído a faculdade? Construiria um prédio sem um Engenheiro Civil?

Deixando claro que acredito em autodidática quero ressaltar que os anos que passei desenvolvendo sistemas financeiros ou contábeis não me tornam analista financeiro ou contador. Escrever esse blog não me torna jornalista. E copiar códigos da web não te tornam profissional de informática.

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Apr 13 2009

História da Informática em Blumenau.


Cetil

Cetil

Nos últimos anos da década de sessenta Blumenau prosperava com a indústria textil. Era conhecida em todo o Brasil como a “capital do emprego”. Em 1969, com a indústria têxtil à todo vapor e o processamento de dados dando seus primeiros passos no país, um grupo de empresários do setor Textil resolveu criar o Centro Eletrônico da Indústria Têxtil (Cetil). A Cetil prestava serviços de procesamento de dados na forma de bureau, ou seja alugando horas de processamento em seus computadores. O serviço era utilizado pelas empresas associadas para rodar suas folhas de pagamento, balanços contábeis entre outras rotinas administrativas.

Em pouco tempo a Cetil cresceu muito, sendo o maior bureau privado do país, e prestava serviços para empresas de todo o Brasil. O contato de profissionais com a tecnologia e a necessidade de especialização surtiu na academia. Em 1975 a Universidade Regional de Blumenau (Furb) passou a oferecer o curso de Tecnólogo em Processamento de Dados, o primeiro da região sul e terceiro do Brasil. Em 1977 este curso foi o primeiro do gênero a ser reconhecido pelo Conselho Nacional de Educação. O Tecnólogo de Processamento de Dados foi o curso que deu Origem em 1986 ao curso de Bacharel em Ciências da Computação, popular BCC. Até hoje o BCC da Furb é um curso tradicional e popular entre os jovens da região.

O avanço da micro-informática, a formação de profissionais pela Furb e o espírito empreendedor do povo blumenauense acabou gerando a primeira geração de empresas de informática em Blumenau. A maior parte desses empreendedores foram pessoas que trabalharam no Cetil. Essa geração é composta por WK Sistemas, Sistemas Blumenau (hoje Edusoft), Senior Sistemas, Microton, Oficina Software (hoje Totall Sistemas), Fácil Informática entre outras.

Hécules - Software contábil da WK

Hécules - Software contábil da WK

A WK sistemas foi um das primeiras a conseguir sucesso e reconhecimento a nível nacional. Especializada em Sistemas Contábeis a WK desenvolveu diversos sistemas para a área, at-dc, pc-dc, coringa e Hércules são alguns exemplos. O Hércules foi o primeiro sistemas brasileiro à fazer o uso de janelas sobrepostas (rodando em MS-DOS). Pessoas que viveram a época do Hércules contam que dentro da WK o trabalho de encaixotar os disquetes e manuais para despachalos para todo o Brasil era intenso. A WK também inovou sendo a primeira empresa brasileira a utilizar o canais de distribuição, chamados revendas, em modelo inspirado no utilizado por empresas dos Estados Unidos na época. A WK chegou a ter cerca de trezentas revendas.

O sucesso do sistema contábil Hércules e a estrutura de revendas motivou outras empresas a firmarem parcerias com a WK. A Senior Sistemas, Micronton Informática e Tron Informática recebiam apoio técnico da Wk, utilizavam-se de seus estrutura de canais e inclusive vendiam seus produtos com a marca WK. A Senior produzia o sistema de Folha de Pagamentos chamado Ruby, enquanto a Microton desenvolvia o Liscal voltado para Escrituração Fiscal. O trio Ruby-Hércules-Liscal era vendido como uma suíte de aplicativos para escritórios e bureaus contábeis. A Tron Informática produzia sistemas de gestão orçamentária para empresas de construção cívil também sob a marca WK.

Menu do Ruby DOS

Menu do Ruby DOS - Senior Sistemas

Na mesma época em que a WK despontava com seus sistema contábeis, surgia o editor de textos Fácil. O Fácil foi um editor de textos para MS-DOS. O mais popular do Brasil. Com ele era possível incluir caracteres para acentuação algo que não era disponibilizado em editores estrangeiros. O Fácil era líder absoluto no Mercado Brasileiro vendendo mais de cem mil cópias. Esse número torna o Fácil o produto brasileiro mais bem sucedido de todos os tempos.

Lembro-me de ter aulas de Fácil na escola e do orgulho de saber que essa Ferramenta era desenvolvida na minha cidade. A queda do Fácil aconteceu com a popularização do windows, já que grande maioria dos usuários passaram à utilizar o pacote Office da Microsoft. Hoje a Fácil ainda existe e é especializada em Sistemas Jurídicos.

Nos anos noventa as empresas de Blumenau utilizaram-se de marketing cooperado para divulgação do polo de informática como um todo ao invés de utilizarem-se de ações individuais. A primeira grande conquista foi uma matéria sobre o polo de informática publicada na Folha de São Paulo. O nome Blumenau passou a ser uma marca de qualidade em software e serviços.

A prefeitura de Blumenau foi a primeira a ter um estande na Fenasoft onde as empresas da região poderiam demonstrar seus produtos. A empresas blumenauenses fizeram bons negócios nas ediçòes da Fenasoft. A qualidade do software de Blumenau levava pessoas à feira buscando pelos produtos da região.

Fato que comprova a qualidade dos produtos da região são os muitos prêmios levados pelas empresas blumenauenses nessa época, como prêmio Assespro, Editor’s Choice (PC World) e Max Awards (Fenasoft).

Até hoje Blumenau é conhecida como Vale do Software e na cidade costuma-se dizer que existem mais empresas de informática do que padarias.

Ronda - Sistema de Ponto Eletrônico (Senior Sistemas)

Ronda - Sistema de Ponto Eletrônico (Senior Sistemas)

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Oct 28 2008

Novos Projetos


Tenho passado por uma fase extremamente produtiva. Novos projetos estão surgindo e saindo do papel (ou pensamento) antes do que imaginava. Não tenho a intenção de ser uma celebridade na web, mas sim quero ter minhas idéias expostas e discutidas.
Em junho deste ano estive em Curitiba onde tive a oportunidade de assistir à uma palestra do Gil Giardelli. A palestra dele foi a comprovação de que o trabalho que nós blogueiros desempenhamos é de fundamental importância para o futuro da web. O Sr. Giardelli a toda hora nos instigou a criar e empreender. Após a palestra passei a acompanhar o seu blog e em um de seus post ele nos incentivava a criar blogs e agregadores.

Das palavras do Sr. Giardelli, um pensador da web, nasceu um novo projeto. Embora tenha levado algum tempo para entrar no ar o endereço www.nasgringa.com é um coletivo de blogs de catarinenses que moram no exterior e contam suas experiência da descoberta de uma nova cultura. É atualizado automaticamente pelos feeds do meu blog número II, o blog do Amaral que vive a três anos na Nova Zelândia e o da Kelli que atualmente vive na China.

Quando iniciei o projeto rodrigao.net, não tinha uma espectativa maior do que divulgar algumas de minhas idéias e opiniões ligadas ao mundo da tecnologia. Em menos de um ano de existencia tenho um público fiél. Composto por alguns ex-colegas de faculdade, amigos e amantes de tecnologia. O legal é saber que essas pessoas confiam em minhas palavras e eu tenho a responsabilidade de não decepciona-las.

Meu trabalho nesse blog acaba de render seu primeiro fruto. Fui convidado para escrever uma coluna quinzenal na revista eletrônica promovida pelo Projeto Eleva. O Projeto Eleva foca-se em elevar a Tecnologia da Informação para profissionais, organizações e usuários de TI. Promove cursos de qualificação e palestras para seu público alvo em Santa Catarina. A primeira edição da revista eletronica pode ser acessada aqui.

Agradeço a confiança de todos que frequentam esse espaço e espero que os novos projetos caminhem na direção do sucesso!

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Sep 30 2008

O Capital Itelectual e a Gestão do Conhecimento


Foi-se o tempo em que o patrimônio das organizações era medido apenas por suas posses. Organizações contemporâneas passam a contabilizar seu capital intelectual. Embora não seja uma estratégia recente as organizações nos dias atuais estão valorizando o conhecimento. Temos o hoje o valor de mercado de uma organização sendo contabilizado por seu valor contábil somado ao seu capital intelectual.

Capital intelectual é um conjunto de benefícios intangíveis resultantes da aplicação do conhecimento nas organizações. O Capital intelectual reflete diretamente no patrimônio das organizações.

Para gerenciar e gerar novos recursos de capital intelectual é utilizada a gestão do conhecimento. Gestão do Conhecimento é um processo sistemático, articulado e intencional, apoiado na geração, codificação, disseminação e apropriação de conhecimentos, com o propósito de atingir a excelência organizacional.

A gestão do conhecimento tem como objetivos:

  • Fazer com que grandes quantidades de informação estejam acessíveis para disseminar-se as melhores práticas organizacionais e tecnologias;
  • Servir como fonte de pesquisa na geração de novos conhecimentos;
  • Manter a memória organizacional ou seja fazer com que ativos de conhecimento e informações
  • sejam identificadas e mapeadas;
  • Organizar dados de forma lógica tornando-os comprensíveis;
  • Utilizar-se da manipulação de dados gerando informações para o desenvolvimento comunitário;
Os sistemas de gerenciamento do conhecimento são sistemas de informação que codificam e classificam a informação gerando conhecimento. Os sistemas de gerenciamento de conhecimento rodam geralmente sobre ambientes de datawarehouse e são baseados em metadados.

Por exemplo:

Informação: O Iraque foi atacado pelos Estados Unidos.

Conhecimento: Tendo o Iraque sido atacado pelos Estados Unidos, isto acarretará em uma mudança no preço dos combustíveis, o que fará com que o mercado reaja.

Um bom exemplo de ferramenta para manutenção de bases de conhecimento são os wikis, embora estes não tenham automatização para geração de conhecimento.

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