A arte e a ciência…
Embora tenha há tempos tenha me posicionado a favor da regulamentação das profissões ligadas à informática ocorrida na semana passada, não havia comentado este assunto que deu bastante o que falar em blogs profissionais e acadêmicos.
Não acredito que o ensino superior seja o único caminho para formação bons analistas ou desenvolvedores. Porém certamente essa é a melhor maneira de agregar conhecimento e técnica à carreira.
Existe um estalo ou toque mágico que só nos é perceptível na academia. Esse estalo não vem no momento em que passamos no vestibular ou ao fazer a matrícula na instituição. O que eu chamo de toque mágico é quando lá pelo final do segundo ano de curso começa-se a ver as coisas com outros olhos. De uma hora para outra tudo se encaixa e faz sentido. É preciso ser muito perceptivo para ver isso. Mas passa-se a perceber que cada disciplina do curso está interrelaciona por mais tênue que seja essa ligação.
Infelizmente não são todos que tem essa percepção. Mas esse é o momento em que entende-se como o processo funciona. É o momento em que todos os conceitos passam a fazer sentido.
Embora tenha essa visão romântica da academia descrita acima, não acredito que análise ou desenvolvimento de sistemas seja arte e sim ciência. Muito compara-se desenvolvedores com artistas. Confesso que tenho meus momentos de inspiração enquanto programo, mas não acredito que a inspiração venha de uma veia artística.
Arte é criação. Quando pinta-se um quadro a inspiração utiliza-se das pinceladas do artista para chegar à tela. Uma vez pronta essa tela não é revisada, não existem bugs nem implementações de novas funcionalidades. Imaginem como o artista ficaria ofendido quando o comprador da obra solicitasse que uma arvore fosse retirada ou inserida em uma tela de paisagem.
Desenvolvimento de Sistemas é ciência. Existem técnica, métodos e processos. Estudam-se as melhores práticas de programação e desenvolvimento. O software possui um ciclo de vida que o mantém ativo por muitos anos. E é necessário revisitar o código eliminando bugs e criando novas funcionalidades com uma freqüência bastante grande.
Acredito que autodidatas possam atingir um nível de conhecimento bastante grande, porém dificilmente alcançarão o toque mágico que os fará entender o conceito por trás das coisas.
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