Ãlbuns que me marcaram – parte i
Embora nunca tenha tocado algum instrumento, música sempre foi um assunto que fez parte dos meus interesses. Tomei como tarefa selecionar alguns discos que tenham feito parte de alguma fase da minha vida e que hoje ainda exerçam alguma influência em mim ou estejam digitalizados no meu iPod.
Um álbum pra mim é muito mais do que uma compilação de músicas. Acredito em todo o conceito na criação do álbum. Orgulho-me de em toda minha vida nunca ter comprado um cd pirata. Quando coloco às músicas no meu iPod mantenho a ordem das mesmas, adiciono a capa e checo a grafia. Tudo para não perder o conceito do trabalho que a banda produziu.
Ter uma boa coleção de cd’s era algo que realmente me motivava em minha adolescência. Não tenho certeza do quão acessÃveis eram os álbuns na época, mas me lembro de ter um número considerável de cd’s.
Quando eu comecei o meu primeiro emprego, na verdade um estágio, ganhava uns quatrocentos
pilas por mês. Todos os meses meu orçamento era dividido da seguinte forma um cd novo, uma ou duas camisetas da quiksilver ou da lost e o que sobrava, ai para as festinhas de final de semana. Cara, eu conseguia ser feliz com muito pouco.
Para tornar a brincadeira mais desafiadoura criei algumas regras. Para que o disco possa estar na lista eu tenho que ter tido o disco fisicamente, mp3 ou aqueles cd’s de amigos que ficaram na minha casa por meses não contam.

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
The Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club, 1967
Eu tinha menos de dez anos de idade quando meu pai ganhou de um cliente o nosso primeiro cd player. Não lembro exatamente o ano, mas deve ter sido em 1988 ou 1989. Na época poucos tÃtulos estavam disponÃveis em cd. Um dos primeiros discos que meu pai comprou foi o Sgt. Pepper’s. Eu não entendia muito o conteúdo do álbum. Para mim era algo totalmente circense. Não sabia o que era um álbum conceitual, para mim eram apenas três ou quatro músicas muito longas em um cd. A música tÃtulo do álbum, with a little help from my friends e Lucy in the sky with Diamonds eram uma faixa só em minha cabeça. A capa do álbum também me facinava, ficava olhando para ela tendando reconhecer algum rosto e por anos acreditei que o Didi Mocó estava em meio à quele aglomerado de pessoas.

OK Computer
Radiohead, Ok! Computer, 1997
Se todos os adolecentes tornam-se chatos e melancólicos em algum momento, desejo que todos tenham um ábum como o OK Computer para conforta-los, ou bota-los mais para baixo. As primeiras vezes que ouvi esse álbum confesso que não o entendi, mas queria escuta-lo denovo e denovo. Como podia a mistura de guitarras gritantes, efeitos vindos de sintetizador e um vocal que ia do soft ao extreme em segundos ser uma combinação coerente? Mesmo na época não entendendo muito a lingua inglesa a mensagem parecia universal e sabia que muito do que o Thom Yorke cantava estava relacionado com o que sentia. Tem uma amigo meu que uma vez brincou dizendo que se tem um “OK” e um “Computer” só pode ser coisa minha. Confesso que esse foi o único trabalho do Radiohead que conheci a fundo, mas foi suficiente para me marcar.

Sobrevivendo no inferno
Racionais MC’s, Sobrevivendo no Inferno, 1997
Minhas tendências de “mano” foram reprimidas a muito tempo. Esse foi um albúm que marcou minha vida. Sabia todas as extensas letras de cor. Nunca alguma mensagem que não fazia parte de minha realidade entrou na minha cabeça de forma tão agressiva me fazendo querer entender o universo no qual o grupo estava inserido. ÃŒnfelizmente as letras bem elaboradas não refletem nas entrevistas do Mano Brown encontradas no Youtube. O intelectual da favela decepciona feio quando fala aos jornalistas com português medilcre e perdendo-se em sua linha de pensamento. Por isso demoram mais de quatro anos para produzirem um álbum.

Sublime
Sublime, Sublime, 1996
Quando a fama muldial do Sublime chegou Bradley Nowell, vocalista do grupo já havia falecido de overdose de smack. Eu comprei o álbum na época por que ouvia Santeria na rádio praticamente de hora em hora. Não via por esse single um potencial de um grande álbum. Estava errado! Ainda hoje não passo mais de uma semana sem escutar Sublime. Minhas canções prefiridas do álbum sempre mudam, já foi Ganden grove, Seed e Same in the end. Esta última escuto repetidas vezes no meu iPod. Down in mississippi where the sun beats down from the sky..
Mesmo antes de vir morar na california acreditava que nada poderia ser mais “califa” do que Sublime e sempre que vou passar um domingo na praia essa é a trilha sonora.

Evil Empire
Rage Against the machine, Evil Empire, 1996
Confesso que comecei a curtir o Rage Against desde o primeiro álbum, mas como nunca comprei esse cd estaria fora das regras da brincadeira. O Evil Empire, esse sim, eu comprei. Devo ter até hoje no meu armário lá em Blumenau. Os Rifs pesados e incrementados me inspiram e aumentam minha ansiedade de uma forma benigna. Costumo escutar esse disco na quando vou à academia ou faço uma caminhada.

Greatest Hits ii
Queen, Greatest Hits II, 1991
Esse álbum é mais uma influência do meu pai. Que orgulho ter um pai que nos acordava (e a todos do prédio) nos finais de semana com A Kind of Magic a todo volume, enquando a maioria dos pais da idade dele estariam escutando Xitãozinho e Chororó. Até hoje meu pai chama as duplas sertaneja ironicamente de caipiras.
O Queen certamente é a banda que meu pai mais gostou. Não lembro do fato por ser muito novo na época, mas acredito que a vinda do Queen ao Rock in Rio de 1985 deve ter sido o marco inicial dessa paixão. Quando o pai tomava umas cervejas a mais fazia imitações do Freddie Mercury nos churrascos da famÃlia. E por esses motivos esse álbum sempre estará na minha cabeça.
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