O mais novo cirurgião…
Desde o dia de ontem não é mais necessário possuir um diploma para exercer a profissão de jornalista. A decisão foi do Supremo Tribunal Federal (STF) à pedido do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp). Meu primeiro comentário no twitter foi o seguinte:
Eu sou contra a decisão do STF. Acredito que omissão ou valorização de informação em notÃcias e matérias podem causar influência sobre os leitores. Isso é
uma responsabilidade bastante grande. Eu não sou jornalista. Escrevo esse blog por hobbie. Tenho domÃnio em assuntos relacionados à tecnologia, minha área de formação. Não me sentiria confortável escrevendo sobre polÃtica, economia ou futebol. Acredito que produziria textos muito mais elaborados se tivesse cursado ao menos um curso básico de técnicas de redação.
Aceitaria escrever para um veÃculo de comunicação desde que sob a supervisão de um editor diplomado. A responsabilidade de escrever é muito grande e não pode estar nas costas de alguém que não foi preparado para isso.
Em parte eu tomo as dores dos jornalistas nesse retrocesso por que minha profissão não é regulamentada e qualquer “zé ruela” se diz programador, analista de sistemas, DBA ou Arquiteto de Software. Acredito sim que pessoas possam aprender uma profissão sem passarem por uma universidade. Mas também acredito que esse é o caminho das pedras.
Freqüento diariamente fóruns de discussão na web. Reparo que muitas vezes as dúvidas enviadas não estão relacionadas à linguagens ou técnicas de programação e sim à falta de conceito desses usuários de fóruns. Acabam criando o código sem saber o motivo das linhas copiadas. Geram código mal feito, com linhas desnecessárias e de difÃcil manutenção pelo simples fato de não terem certeza do que estão fazendo.
Vou contar um caso que acredito já ter relatado por aqui. Na empresa em que trabalhava no Brasil éramos uma equipe de cinco ou seis desenvolvedores
responsáveis por manter a retaguarda de um sistema comercial. Os membros da equipe que não possuiam formação universitária estavam cursando suas últimas
disciplinas ou desenvolvendo o tão temido TCC.
Chegou o dia de a equipe crescer e um novo integrante passou por uma avaliação prática e uma entrevista com um dos sócios da empresa. A avaliação prática foi muito boa. O guri saÃu-se muito bem no teste. E mandava muito bem mesmo. Programava muito, fazia coisas bastante legais. Porém havia aprendido tudo o que sabia seguindo tutoriais e fóruns na web. Não demorou muito para que o sistema e o resto da equipe tivessem seus primeiros conflitos com o “calouro”. A falta de instrução acadêmica não permitia que ele falasse a mesma lÃngua do resto da equipe. Embora rotinas avançadas fossem desenvolvidos por ele na prática, não entendia o conceito por trás dos códigos. A Experiência durou pouco mais de três meses. Não houve adaptação do novo membro à equipe.
Eu sou favorável ao criação dos CRI’s, Conselhos Regionais de Informática, e a regulamentação das profissões relacionadas à área. Em caso o candidato Ã
membro do CRI não tenha formação técnica ou acadêmica, porém experiência de anos de mercado que lhe coloque em nÃvel de igualdade com portadores de diploma é só fazer um Poscomp para provar sua aptidão.
Sempre bom resaltar que desenvolvimento de sistemas é um responsabilidade. Um erro na lógica e seus clientes pode estar deixando de pagar impostos ou ainda de ganhar dinheiro. Quem será responsável pelos sistemas desenvolvidos em access pelo sobrinho do dono da loja?
Você iria em um dentista que não tenha concluÃdo a faculdade? Construiria um prédio sem um Engenheiro Civil?
Deixando claro que acredito em autodidática quero ressaltar que os anos que passei desenvolvendo sistemas financeiros ou contábeis não me tornam analista financeiro ou contador. Escrever esse blog não me torna jornalista. E copiar códigos da web não te tornam profissional de informática.
Tags: desenvolvimento, empresas, sistemas, sistemas de informação







