Embora tenha há tempos tenha me posicionado a favor da regulamentação das profissões ligadas à informática ocorrida na semana passada, não havia comentado este assunto que deu bastante o que falar em blogs profissionais e acadêmicos.
Não acredito que o ensino superior seja o único caminho para formação bons analistas ou desenvolvedores. Porém certamente essa é a melhor maneira de agregar conhecimento e técnica à carreira.
Existe um estalo ou toque mágico que só nos é perceptÃvel na academia. Esse estalo não vem no momento em que passamos no vestibular ou ao fazer a matrÃcula na instituição. O que eu chamo de toque mágico é quando lá pelo final do segundo ano de curso começa-se a ver as coisas com outros olhos. De uma hora para outra tudo se encaixa e faz sentido. É preciso ser muito perceptivo para ver isso. Mas passa-se a perceber que cada disciplina do curso está interrelaciona por mais tênue que seja essa ligação.
Infelizmente não são todos que tem essa percepção. Mas esse é o momento em que entende-se como o processo funciona. É o momento em que todos os conceitos passam a fazer sentido.
Embora tenha essa visão romântica da academia descrita acima, não acredito que análise ou desenvolvimento de sistemas seja arte e sim ciência. Muito compara-se desenvolvedores com artistas. Confesso que tenho meus momentos de inspiração enquanto programo, mas não acredito que a inspiração venha de uma veia artÃstica.
Arte é criação. Quando pinta-se um quadro a inspiração utiliza-se das pinceladas do artista para chegar à tela. Uma vez pronta essa tela não é revisada, não existem bugs nem implementações de novas funcionalidades. Imaginem como o artista ficaria ofendido quando o comprador da obra solicitasse que uma arvore fosse retirada ou inserida em uma tela de paisagem.
Desenvolvimento de Sistemas é ciência. Existem técnica, métodos e processos. Estudam-se as melhores práticas de programação e desenvolvimento. O software possui um ciclo de vida que o mantém ativo por muitos anos. E é necessário revisitar o código eliminando bugs e criando novas funcionalidades com uma freqüência bastante grande.
Acredito que autodidatas possam atingir um nÃvel de conhecimento bastante grande, porém dificilmente alcançarão o toque mágico que os fará entender o conceito por trás das coisas.
September 2nd, 2009 at 1:16 am
muito bom o post, mas falando particularmente da FURB eu concordo que todas as matérias dos cursos de BCC e BSI fazem sentido com exceção de Educação FÃsica. por favor me explique porque esta cadeira está in$erida em todos cursos daquela in$tituição. (usar $ é brega mas não quero nem $aber). valeu!
September 28th, 2009 at 3:33 pm
Há um livro que eu li a algum tempo cujo tÃtulo é “O que é Arte?”. Claro q o tema central do livro é justamente a discussão sobre o que é arte e, dentre vários pontos, resumidamente senti q o livro conclui q arte, de uma forma bem sucinta, é uma obra onde o artista teve a intenção em expressar algum sentimento na mesma e os “consumidores” desta obra podem “sentir”, perceber esta mesma sensação, ou seja a obra proporciona o sentimento que o artista quis expressar … Dentro desta definição desenvolvimento de software não é arte. Ninguém escreve um software pq estava angustiado, ou esperançoso, ou qualquer outra coisa, e expressa através do software desenvolvido este sentimento … bem como nenhum software proporciona sensações como obras de arte proporcionam … Desenvolvimento de software é ciência sim, Ciência da Computação, com tds suas especialidades …