Nos últimos anos da década de sessenta Blumenau prosperava com a indústria textil. Era conhecida em todo o Brasil como a “capital do emprego”. Em 1969, com a indústria têxtil à todo vapor e o processamento de dados dando seus primeiros passos no paÃs, um grupo de empresários do setor Textil resolveu criar o Centro Eletrônico da Indústria Têxtil (Cetil). A Cetil prestava serviços de procesamento de dados na forma de bureau, ou seja alugando horas de processamento em seus computadores. O serviço era utilizado pelas empresas associadas para rodar suas folhas de pagamento, balanços contábeis entre outras rotinas administrativas.
Em pouco tempo a Cetil cresceu muito, sendo o maior bureau privado do paÃs, e prestava serviços para empresas de todo o Brasil. O contato de profissionais com a tecnologia e a necessidade de especialização surtiu na academia. Em 1975 a Universidade Regional de Blumenau (Furb) passou a oferecer o curso de Tecnólogo em Processamento de Dados, o primeiro da região sul e terceiro do Brasil. Em 1977 este curso foi o primeiro do gênero a ser reconhecido pelo Conselho Nacional de Educação. O Tecnólogo de Processamento de Dados foi o curso que deu Origem em 1986 ao curso de Bacharel em Ciências da Computação, popular BCC. Até hoje o BCC da Furb é um curso tradicional e popular entre os jovens da região.
O avanço da micro-informática, a formação de profissionais pela Furb e o espÃrito empreendedor do povo blumenauense acabou gerando a primeira geração de empresas de informática em Blumenau. A maior parte desses empreendedores foram pessoas que trabalharam no Cetil. Essa geração é composta por WK Sistemas, Sistemas Blumenau (hoje Edusoft), Senior Sistemas, Microton, Oficina Software (hoje Totall Sistemas), Fácil Informática entre outras.
A WK sistemas foi um das primeiras a conseguir sucesso e reconhecimento a nÃvel nacional. Especializada em Sistemas Contábeis a WK desenvolveu diversos sistemas para a área, at-dc, pc-dc, coringa e Hércules são alguns exemplos. O Hércules foi o primeiro sistemas brasileiro à fazer o uso de janelas sobrepostas (rodando em MS-DOS). Pessoas que viveram a época do Hércules contam que dentro da WK o trabalho de encaixotar os disquetes e manuais para despachalos para todo o Brasil era intenso. A WK também inovou sendo a primeira empresa brasileira a utilizar o canais de distribuição, chamados revendas, em modelo inspirado no utilizado por empresas dos Estados Unidos na época. A WK chegou a ter cerca de trezentas revendas.
O sucesso do sistema contábil Hércules e a estrutura de revendas motivou outras empresas a firmarem parcerias com a WK. A Senior Sistemas, Micronton Informática e Tron Informática recebiam apoio técnico da Wk, utilizavam-se de seus estrutura de canais e inclusive vendiam seus produtos com a marca WK. A Senior produzia o sistema de Folha de Pagamentos chamado Ruby, enquanto a Microton desenvolvia o Liscal voltado para Escrituração Fiscal. O trio Ruby-Hércules-Liscal era vendido como uma suÃte de aplicativos para escritórios e bureaus contábeis. A Tron Informática produzia sistemas de gestão orçamentária para empresas de construção cÃvil também sob a marca WK.
Na mesma época em que a WK despontava com seus sistema contábeis, surgia o editor de textos Fácil. O Fácil foi um editor de textos para MS-DOS. O mais popular do Brasil. Com ele era possÃvel incluir caracteres para acentuação algo que não era disponibilizado em editores estrangeiros. O Fácil era lÃder absoluto no Mercado Brasileiro vendendo mais de cem mil cópias. Esse número torna o Fácil o produto brasileiro mais bem sucedido de todos os tempos.
Lembro-me de ter aulas de Fácil na escola e do orgulho de saber que essa Ferramenta era desenvolvida na minha cidade. A queda do Fácil aconteceu com a popularização do windows, já que grande maioria dos usuários passaram à utilizar o pacote Office da Microsoft. Hoje a Fácil ainda existe e é especializada em Sistemas JurÃdicos.
Nos anos noventa as empresas de Blumenau utilizaram-se de marketing cooperado para divulgação do polo de informática como um todo ao invés de utilizarem-se de ações individuais. A primeira grande conquista foi uma matéria sobre o polo de informática publicada na Folha de São Paulo. O nome Blumenau passou a ser uma marca de qualidade em software e serviços.
A prefeitura de Blumenau foi a primeira a ter um estande na Fenasoft onde as empresas da região poderiam demonstrar seus produtos. A empresas blumenauenses fizeram bons negócios nas ediçòes da Fenasoft. A qualidade do software de Blumenau levava pessoas à feira buscando pelos produtos da região.
Fato que comprova a qualidade dos produtos da região são os muitos prêmios levados pelas empresas blumenauenses nessa época, como prêmio Assespro, Editor’s Choice (PC World) e Max Awards (Fenasoft).
Até hoje Blumenau é conhecida como Vale do Software e na cidade costuma-se dizer que existem mais empresas de informática do que padarias.




April 13th, 2009 at 5:32 pm
Essa história é frequentemente contada por professores da Furb e empresários da região, porém resolvi escrever esse post para deixar documentado. Contribuições podem ser enviadas e serão adicionadas ao Post.
Abraços
Rodrigo Kammer
April 13th, 2009 at 11:47 pm
muito legal o post! aqui vai uma sugestao para contar alguns detalhes inusitados daquela época. Lembra que algum dos nossos profs. disse que no comeco só havia 1 computador e todo mundo desenvolvia o código no papel, fazia teste de mesa e depois mandava para “digitar”?? valeu!
April 14th, 2009 at 8:21 pm
Mano! Adorei o post!! Muito bom!!
Legal saber como iniciou o processo do que é um polo em tecnologia no paÃs.
Beijo!
April 15th, 2009 at 1:43 pm
100 mil cópias é disco de ouro!!!
April 15th, 2009 at 4:11 pm
Agradecimentos ao Allan que me conseguiu as telas dos Sistemas DOS da Senior!
April 15th, 2009 at 8:04 pm
essas telas eram muito roots dizae…. mais roots ainda era digitar “win” pra entrar no windows…